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Júlia busca seu quarto título da Superliga pelo Minas (Foto: Hedgard Moraes/Minas Tênis Clube)

Prestes a iniciar as disputas das semifinais da Superliga Feminina de Vôlei 2025-2026 com o Gerdau Minas, a central Júlia Kudiess está vivendo o último mês de uma história de quase uma década no tradicional clube mineiro.

Uma das estrelas da equipe que busca seu sexto título na competição, a central de 23 anos entra na série melhor-de-três contra o atual campeão Osasco São Cristovão Saúde, que será iniciada na segunda, às 18h30 de Brasília, na Arena UniBH, em Belo Horizonte, determinada a levar seu time à decisão e concluir sua memorável trajetória no time mineiro de forma marcante.

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Com transferência confirmada para jogar na Liga Italiana em 2026-2027, Júlia deixará o Minas após quase uma década no clube. Natural de Brasília (DF), ela chegou a Belo Horizonte no fim de 2017, para integrar as categorias de base, e menos de três anos depois, aos 17 anos, passou a integrar a equipe principal.

Além de estabelecer-se como uma das principais centrais do voleibol brasileiro, Júlia também ganhou muitos títulos com o Minas, vencendo a Superliga e o Sul-Americano três vezes, a Copa Brasil e a Supercopa em duas ocasiões e o Campeonato Mineiro em quatro temporadas.

"É muito legal saber que, em dez anos de história, jogando, sendo reserva ou na base, eu pude fazer parte de vários pedacinhos da história do Minas," ela refletiu.

O objetivo da central da seleção brasileira, agora, é encerrar esta etapa da sua carreira com mais um troféu. Segundo colocado na fase de classificação, o Minas enfrenta o Osasco em uma das séries das semifinais. O outro confronto, que também terá início na segunda, às 21h de Brasília, reúne o SESC RJ Flamengo e o Dentil Praia Clube. Os vencedores das duas séries decidem o título em jogo único no dia três de maio, em São Paulo.

Em sua última temporada no Brasil, Júlia vem sendo um dos grandes destaques da Superliga. Ela é a principal bloqueadora da competição, com 103 pontos no fundamento, tem o segundo ataque mais eficiente com 45,4% de aproveitamento e é a segunda maior pontuadora do Minas, com 302 pontos acumulados.

"É uma temporada que tem um gostinho especial e quero encerrar essa temporada da melhor forma possível," disse a central. "É isso que tem sido meu combustível: sair com sensação de dever cumprido, realizar o sonho de ganhar essa Superliga e trazer esse título para casa. Quero retribuir o apoio dessa torcida que me impulsiona a ser a jogadora que eu sou. Minha vontade é entregar tudo para que dê certo e para que a gente traga esse título.”

Do Minas, além dos troféus e do carinho, ela levará muitos ensinamentos. Quando chegou ao time principal, na temporada 2020/2021, a central passou a treinar com duas lendas da posição: a campeã Olímpica Thaisa, que segue no clube, e a medalhista Olímpica Carol Gattaz, que saiu ao fim da temporada 2023-2024 e recentemente encerrou sua carreira.

A convivência com as duas nos treinos e jogos fez seu jogo evoluir e sua carreira decolar, chegando à seleção brasileira, onde logo se tornou titular e destaque.

"A Carol foi como uma mãe, principalmente por fazer a mesma rede que eu," relembrou. "Cheguei no Minas novinha. Era reserva delas, mas dali já almejava um dia jogar e ser como elas. A Carol sempre teve a China, que foi algo que sempre fui alucinada. Em todos os treinos, quando eu estava no lado de fora, tentava observar o que ela fazia que era tão diferente. Os anos que passei com ela foram primordiais para conseguir fazer, talvez, uma China que chega um pouquinho perto da que ela fez."

Gabaritada por ótimas temporadas na seleção brasileira, que renderam medalhas na Liga das Nações (prata em 2022 e 2025) e no Campeonato Mundial (prata em 2022 e bronze em 2025), o prêmio de melhor central da Liga das Nações e do Mundial em 2025 e o recorde de pontos de bloqueio em uma única edição da VNL, Júlia vai à Itália também disposta a seguir evoluindo para se preparar para o principal desafio de sua carreira.

Titular absoluta da seleção brasileira, ela espera realizar o sonho de disputar as Olimpíadas pela primeira vez em Los Angeles, em 2028. A central estava bem cotada para fazer parte do elenco nos Jogos de Paris, em 2024, mas sofreu uma grave lesão no joelho durante a Liga das Nações e precisou adiar seus planos.

"Estar sonhando com Los Angeles, para mim, é muito especial, por ter ficado fora do último ciclo," comentou. "Claro, a lesão foi muito difícil, mas acredito que ali me tornei uma atleta diferente. Entendi que tinha que tentar melhorar os meus hábitos. Já era muito disciplinada, mas passei a entender que ser atleta vai além das quadras, vai muito da parte psicológica, envolve muitas outras coisas. Então a lesão me fortaleceu muito nisso. Depois de você passar por uma lesão dessas, os outros problemas que enfrenta se tornam menores."

A série entre Minas e Osasco começa na segunda e terá o segundo jogo na sexta, em Osasco (SP). Se necessária, a terceira partida acontecerá na próxima sexta, dia 24, em Belo Horizonte.

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