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Um bate-papo descontraído e inspirador, reunindo o levantador Bruno e a ponteira Gabi, dois dos maiores capitães da história da seleção brasileira de vôlei, encerrou a primeira temporada de ROTATIONS apresentado por Decathlon, que acaba de lançar seu quinto e último episódio em 2026.

O encontro aconteceu em São Paulo e teve o tradicional clima de uma reunião entre amigos no Brasil, com churrasco e música nacional, interpretada pelo cantor Thiaguinho, um dos principais amigos de Buno, que também participou da conversa.

A questão da liderança, papel que Bruno e Gabi exercem há anos em seus clubes e na seleção, e que Thiaguinho desempenha em sua banda, foi um dos temas centrais do bate-papo.

"No meu caso, foi até uma surpresa, porque muitas pessoas viam esse perfil forte de liderança em mim e eu não," Gabi contou. "Até me assustou um pouco, e acho que acabei amadurecendo esse lado muito rápido, porque eu queria entender o que de fato era ser uma líder e que tipo de líder eu poderia ser. Em algum momento, acabei percebendo que eu só tinha que continuar fazendo o que já fazia - ser o exemplo pela dedicação e ser uma pessoa que se esforça para que todos no grupo estejam bem e que gosta de resolver problemas. Mas é um processo constante; estou sempre evoluindo como líder."

Treinada por muitos anos por Bernardinho, pai de Bruno, Gabi revelou que o levantador de 40 anos, que foi capitão da seleção brasileira entre 2013 e 2024, foi uma de suas referências quando foi alçada à função.

"Eu sempre tive você (Bruno) como uma das minhas referências em relação à liderança," comentou  a ponteira. "Seu pai sempre falava sobre a sua dedicação e sobre como era difícil para vocês lidarem com essa questão de ele ser seu pai e seu técnico. Ele sempre destacava muito seu comprometimento, e agora, te conhecendo mais de perto, te admiro bastante pelo fato de você continuar sendo essa pessoa que sempre se preocupa com todos ao seu redor, mesmo tendo conquistado tudo o que você já conquistou."

Sentados à beira da piscina, Bruno e Gabi também exploraram os desafios que enfrentaram quando tomaram a difícil decisão de deixar o voleibol brasileiro para continuarem progredindo em suas carreiras jogando por times do exterior.

"Eu tinha um planejamento de jogar fora do país, mas foi um processo complicado até eu entender se eu estava pronta para dar esse passo ou não," Gabi relembrou. "Eu tinha passado por algumas lesões e me questionava se eu tinha nível para atuar nas principais ligas do mundo. Eu comecei a pensar nisso logo após as Olimpíadas do Rio, em 2016, em um momento em que eu ainda estava conquistando meu espaço na seleção, e entendi que eu precisava estar mentalmente pronta não só como atleta, mas também como pessoa, e que talvez naquele momento eu precisasse sair da minha zona de conforto e fazer alguns sacrifícios para poder dar um passo à frente na minha carreira."

A primeira experiência internacional da capitã da seleção brasileira trouxe grandes responsabilidades, já que ela se transferiu para o VakıfBank, da Turquia, um dos principais times do mundo, na temporada 2019-2020 e chegou como uma das principais estrelas de uma equipe que tinha enormes ambições.

"O cenário que encontrei no momento em que cheguei lá mudou a minha cabeça," disse Gabi. "Desde o primeiro momento, entendi que era um outro nível de voleibol. Foi muito exigente e desafiador no começo. Construí uma ótima relação com o Giovanni Guidetti (técnico italiano) e ele foi extremamente importante para mim. Uma das primeiras coisas que ele me disse foi que queria me preparar para ser a capitã do time, e isso me surpreendeu bastante, porque nunca tinha me imaginado naquela posição."

Naturalmente, o sentimento de vestir a camisa da seleção brasileira foi outro assunto debatido pelos dois e levou Gabi a voltar ao início de sua trajetória, quando foi convocada pela primeira vez para as seleções de base e teve a oportunidade de conviver com a geração que conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 no Centro de Treinamento de Saquarema (RJ).

"Jogar pela seleção é literalmente um sonho de criança para mim, e sempre me leva de volta à minha infância, porque desde muito nova eu adorava assistir e praticar esportes, e sonhava em representar o Brasil, ganhar uma medalha e escutar o Hino Nacional", ela revelou. "Pratiquei muitos esportes antes do vôlei, mas quando eu fui convocada para a seleção de base pela primeira vez e pude conviver com aquela geração fantástica de 2008 em Saquarema, tive a certeza de que eu devia continuar, porque até aquele momento, aquilo era o mais perto que eu tinha chegado do meu sonho."

Participando da conversa, Thiaguinho traçou um paralelo entre os desafios enfrentados por atletas e artistas, já que as duas carreiras trazem alegria ao público que assiste, demandam longos períodos longe de casa e da família e que profissionais das duas áreas precisam ser capazes de bloquear problemas pessoais para que possam desempenhar no melhor nível nos palcos e nas quadras.

O quinto e último episódio da temporada da série ROTATIONS, com Gabi e Thiaguinho,  está disponível para ser assistido no canal do YouTube da Volleyball World e para ser escutado no Spotify.